WP350 Letramentos de arte-ativismo no percurso da vida: uma biografia etnográfica de Ítala Isis e do Movimento Cidades (in)Visíveis
Duncan
2026
Abstract
Resumo
Este artigo apresenta uma biografia etnográfica do Movimento Cidades (in)Visíveis (MC(in)V) e de sua fundadora, Ítala Isis, com o objetivo de analisar práticas de letramentos de arte-ativismo no contexto urbano do Rio de Janeiro entre 2009 e 2015. A partir de uma abordagem etnográfica e biográfica, o estudo focaliza os usos, formas e significados da inscrição — verbal e não verbal — em intervenções artísticas realizadas em ruas, manifestações e ambientes digitais. Ancorado nos Novos Estudos do Letramento e em perspectivas etnográficas da escrita, o artigo propõe compreender essas práticas como repertórios dinâmicos que articulam arte, ativismo, afeto e ação política em contextos marcados por gentrificação, militarização e desigualdade social, especialmente no período dos megaeventos esportivos. Ao acompanhar trajetórias de vida, de movimento e de ação, o texto mostra como inscrições mínimas — marcas, linhas, trilhas — podem operar como formas potentes de resistência composicional, corporal e contextual, reconfigurando a experiência urbana e produzindo sentidos coletivos. O artigo contribui para debates interdisciplinares sobre letramentos, cidade e ativismo ao evidenciar o papel da inscrição como prática semiótica central na produção de dissenso e memória social.
Abstract
This article presents an ethnographic biography of the Movimento Cidades (in)Visíveis (MC(in)V) and its founder, Ítala Isis, with the aim of analyzing art-activism literacies in the urban context of Rio de Janeiro between 2009 and 2015. Drawing on ethnographic and biographical approaches, the study focuses on the forms, uses, and meanings of inscription—both verbal and non-verbal—in artistic interventions carried out in streets, protests, and digital environments. Grounded in the New Literacy Studies and ethnographic perspectives on writing, the article conceptualizes these practices as dynamic repertoires that articulate art, activism, affect, and political action in contexts marked by gentrification, militarization, and social inequality, particularly during the period of major sporting mega-events. By tracing trajectories of life, movement, and action, the analysis shows how minimal inscriptions—marks, lines, and traces—can function as powerful forms of compositional, embodied, and contextual resistance, reconfiguring urban experience and producing collective meaning. The article contributes to interdisciplinary debates on literacy, the city, and activism by foregrounding inscription as a central semiotic practice in the production of dissent and social memory.