WP326 A construção discursiva da instalação de portões nas ruas da zona oeste do Rio de Janeiro: um olhar etnográfico
Sanque
2024
Abstract
Na zona oeste do Rio de Janeiro, a mais pobre da cidade, portões vêm sendo instalados na entrada de ruas. Este artigo é fruto de uma pesquisa etnográfica de pequena escala, com foco em uma pequena rua dessa região. Os dados abrangem tanto reuniões de moradores quanto entrevistas que alguns deles me concederam, nas quais são frequentes menções a segurança e violência como razões para que o portão se mantenha funcionando. Inicialmente, engajo-me com o conceito de fala do crime (Caldeira 2000), propondo que este seja compreendido em sua dimensão pragmática, isto é, como um ato de fala (Austin 1962). Em seguida, proponho dois deslocamentos em relação a essa noção: da pragmática para a metapragmática da fala do crime – dando conta da dimensão interacional-indexical da fala do crime –; e da fala do crime para a fala da segurança, conceito que tenta abranger conversas cotidianas que tenham a segurança como tema central. Por fim, discuto como a fala da segurança, em suas dimensões pragmática e metapragmática, está relacionada a processos globais de securitização e de neoliberalização das sociedades.
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In the west zone of Rio de Janeiro, the poorest in the city, gates have been installed in the entrance to streets. This paper is part of a small-scale ethnographic study focussed on one small street in that area. The data comprise both residents’ meetings and interviews some of them gave me, in which mentions of security and violence are recurrent as reasons why the gate should be kept. At first, I engage with the concept of talk of crime (Caldeira 2000), proposing that it be understood in its pragmatic dimension, i. e. as a speech act (Austin 1962). Then I propose two shifts in relation to that notion: from the pragmatics to the metapragmatics of the talk of crime – to consider the interactional-indexical dimension of the talk of crime – and from the talk of crime to the talk of security, a concept that aims at encompassing everyday conversations that have security as their main theme. Finally, I discuss how the talk of security, in its pragmatic and metapragmatic dimensions, is related to global processes of securitisation and the neoliberalisation of societies.